A Bahia é um estado situado na região nordeste do Brasil, conhecido por sua rica cultura e história. A história do povoamento do território baiano está atrelada à chegada dos portugueses no Brasil, em 1500, quando se iniciou a colonização brasileira. Salvador, sua capital, foi a primeira capital do Brasil, e é a cidade mais negra fora de África. Com clima tropical, as altas temperaturas atraem turistas, que também apreciam a cultura local, notadamente no Carnaval e nas diversas festas religiosas ao longo do ano. Como o quarto estado mais populoso do país, a Bahia continua a encantar os visitantes com suas tradições, culturas e paisagens encantadoras.
O termo "celeiro" pode ter diferentes conotações, mas normalmente é usado para descrever uma região ou lugar que produz grandes quantidades de alimentos ou recursos naturais, geralmente para abastecer outras regiões ou países.
Essa palavra também pode ser usada metaforicamente para descrever uma região, país ou localidade que é uma importante fonte de produção de determinado bem ou recurso natural, como petróleo, minerais ou mesmo talentos em um campo específico, como artistas, cientistas, etc.
Muito se fala que somos o celeiro musical do Brasil, e realmente, quando o assunto é música a gente assina com originalidade, inovação e fundamento, o futuro nasce na Bahia e isso é um fato indiscutível. Entretanto, existe uma barreira que atrapalha a disseminação das nossas crias da música para o mundo, com o devido reconhecimento e legitimidade, a tal da: apropriação cultural.
O que aconteceria se a musicalidade negra baiana tivesse espaço no cenário nacional? Se a musicalidade negra baiana tivesse o merecido espaço no cenário nacional, veríamos um movimento cultural revolucionário tomar forma. A riqueza dos ritmos afrodescendentes da Bahia, para além do axé e samba-reggae se espalharia como uma chama incandescente pelo país, ressignificando a identidade musical brasileira.
O protagonismo das e dos artistas negras/os baianas/os inspiraria como já inspira mas de forma camuflada uma geração inteira a abraçar sua herança cultural, promovendo uma verdadeira revolução artística e social.
Desmistificar estereótipos e desconstruir preconceitos, essa explosão cultural nos levaria a uma profunda reflexão sobre a diversidade e a necessidade de valorizar a autenticidade das expressões culturais brasileiras, alimentando um futuro de reconhecimento, respeito e inclusão. A Bahia, mais do que um celeiro, é o epicentro de uma transformação cultural, onde o mundo inteiro se rende à magia e à força da musicalidade negra que ecoa por todo o país mas não dá o merecido reconhecimento. O futuro nasce na Bahia porém a galera de fora se apropria.
A estima baixa no nosso cenário musical baiano é uma ferida que precisa ser curada. A cena musical da Bahia foi berço de inúmeros gêneros e movimentos que moldaram a identidade sonora do país, porém, a busca incessante por aprovação externa fez com que muitos artistas e talentos se sentissem desvalorizados. A necessidade de ser validado pelo eixo ou por olhares de fora, ao invés de reconhecer o próprio valor intrínseco, enfraquece a confiança e potencial artístico. A verdadeira transformação acontecerá quando a autoestima do cenário musical baiano for resgatada, e os artistas abraçarem com orgulho suas raízes e influências, repensar a narrativa e abrir caminho para uma valorização autêntica.
A apropriação cultural é uma faceta dolorosa da realidade musical baiana, que vai além da baixa autoestima. Enquanto a cena local cria gêneros e expressões potentes, como o pagotrap e Bahia Drill, vemos pessoas de fora se apropriarem dessas criações, diluindo suas origens e expropriando o crédito de artistas baianos. Essa usurpação perpetua a desvalorização da cultura local, minando a autoestima daqueles que são verdadeiramente donos dessas manifestações. A ideia de "ajuda" na proliferação só alimenta a ilusão de benefício, enquanto a exploração continua. É imperativo que enfrentemos esse cenário, reivindicando nosso patrimônio cultural com voz unida, para que a Bahia não apenas se orgulhe de suas criações, mas seja respeitada e admirada pelo mundo todo, como a autora de uma herança musical inestimável.
A apropriação cultural é uma ferida aberta na cena musical baiana, onde a busca por aprovação externa acaba gerando uma armadilha cruel. A galera do eixo, Rio de Janeiro e São Paulo, frequentemente se apropria das criações baianas, usurpando a autoria e a essência das expressões locais. Essa falsa esperança de que a parceria acelerará o sucesso nacional é uma ilusão, pois o crédito é roubado dos verdadeiros criadores.
A gente tem o molho, isso é um fato indiscutível mas esse molho está sendo furtado e vendido de uma forma genérica e na minha opinião? Muito mal feita pelo eixo que ganha holofotes em cima de nós
A verdade que isso não acontece somente com a música, isso pode ser visto em áreas como moda, arte, culinária, religião, linguagem e até mesmo em práticas espirituais. Essa apropriação muitas vezes resulta em uma diluição das tradições e em uma perda da autenticidade cultural. Além disso, perpetua desigualdades, pois a cultura dominante se apropria de aspectos de culturas marginalizadas sem enfrentar as mesmas consequências.
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